Início

23 de nov. de 2009

Cem reais: momentos de glória e de clausura

No meio de tantas outras notas, eu vivia. Todas nós estávamos bem guardadas e organizadas dentro de uma carteira antiga, que por sua vez era disposta no sossego e no frescor de uma parte de um guarda-roupa cheia de caixas de sapato, todas c om tampas, uma ao lado da outra. Nada fora do lugar! Nosso dono era Leandro, um rapaz de 26 anos, que além de colecionar cédulas, colecionava também moedas e as guardava em uma caixinha de madeira talhada de flores.

Quem ajudava com a coleção eram amigos que viajavam para o exterior, pais de antigas namoradas que trabalhavam em bancos, pais de novas que, por boa vontade, doavam as moedas poupadas por décadas em cofrinhos de madeira em formato de coração por seus pais.

Às vezes Leandro exibia a coleção para alguns visitantes e não havia um que não se espantava: “Nossa, como você consegue não gastar essa nota de 100 reais?”. Apesar de ser normal que ele não gastasse (afinal de contas, aquilo era uma coleção) eu ficava toda orgulhosa, já que era a única que causava esse frisson entre as pessoas. Tudo bem que a maioria se interessava mais pelas moedas antigas e pomposas, mas e daí? Elas já não valem mais nada.

Eu nem me importava de ser a última nota do monte, já que a ordem era as cédulas internacionais, depois as nacionais que não valiam mais, depois as que valiam - da menor para a maior - e eu era a maior!

Até que um belo dia o pai de Leandro fez um acordo com o rapaz: “Filho, o carro é seu, mas a partir de agora é você quem coloca a gasolina.” Ele ficou todo feliz, pois agora poderia ir para onde quisesse sem ter o problema de pedir para usar o meio de locomoção da família, mas foi pego de surpresa quando percebeu que o combustível ia embora feito a água que corria da mangueira da vizinha.

E para complicar ainda mais, ele usava o carro para ir viajar todos os dias para uma cidade próxima na qual fazia mestrado.

O dinheiro que ele tinha não era muito, e gastava consideravelmente todo final de semana. Era a cerveja na sexta-feira, o jantar e o motel com a namorada no sábado, o cinema no domingo, sem contar as coisas inevitáveis de gastar – tinta para impressora, remédio para dor de cabeça, pedágios para as viagens diárias, presentes de aniversário, e, e, e...Nossa, quanta coisa!-

Poupar ele não conseguia, mas afinal ele ia poupar em quê? Pode até soar arrogante para quem não tem nada, mas tudo o que ele gastava era imprescindível para um jovem de 26 anos dentro dos padrões nos quais sempre viveu.

Ele esperava maior liberdade, poder sair com amigos em outras cidades, voltar da noite a hora que bem entendesse... Mas o que aconteceu foi o oposto, Leandro tinha que economizar na gasolina!

A partir de então ele começou a procurar moedinhas nos cantos do sofá e também as do troco do lanche dos finais de noite.

Eu o ouvia reclamar às vezes, mas ficava aliviada, já que ele jamais pensaria em me gastar – Poxa, eu era a nota mais importante no meio das demais. Era legal ter força de vontade e não gastar cem reais que estavam ali... Parados de bobeira em uma carteira que cheirava a mofo!

Só que me enganei. E o que eu mais temia aconteceu. Não, não é só uma mulher de quarenta anos que tem medo de ser substituída por duas meninas de vinte! Eu temia ser por cinco!! E foi como o esperado... Ele me trocou por cinco de vinte! E ainda completou: “É mais fácil para gastar”

Aí fui pulando de mão em mão. Sabe como é! Ninguém ficava comigo por mais de uma semana. Foi horrível para mim, nenhum ser humano se apegou e quis me guardar para sempre!

Até que um dia (nem tão belo assim) fui parar na carteira de um velho avarento, e sabe o que ele fez? Colocou-me dentro de um banco, em um maldito cofre! O velho morria de medo de ser mandado embora do emprego e guardava qualquer dinheiro extra que viesse.

Você deve estar pensando qual o motivo da minha reclamação, já que agora eu consegui o que queria - ficar guardada para sempre -, mas não era esse o destino que eu sonhava para mim! Eu queria ser exibida, ser a única no meio de muitas, quiçá ser plastificada e pendurada no mural debaixo da tv do quarto do Leandro... Mas aqui no banco eu sou apenas mais uma, uma sardinha nadando junto com um cardume de tantas outras notas de cem!

Lívia Palmieri

7 de set. de 2009

O amor cru

Foi ótimo ver Annie outra vez. Percebi a pessoa incrível que ela é, e como era bom poder conhecê-la. E pensei na velha piada. Um cara vai ao psiquiatra e diz: "Doutor, meu irmão é louco. Ele acha que é uma galinha". O doutor diz: "Por que não o convence?". O cara diz: "É, mas eu preciso dos ovos". Bem, acho que é o que penso dos relacionamentos hoje. São totalmente irracionais, loucos e absurdos. Mas continuamos neles, porque a maioria de nós precisa dos ovos. Wood Allen, com sua impassibilidade peculiar, finaliza assim sua grande obra: Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Annie Hall). Mas afinal, por que precisamos tantos desses ovos?

Vamos tentar entender analisando pelo lado da biologia, mais especificamente a fisiologia e a bioquímica. Quando encontramos com a pessoa querida nosso corpo reage liberando adrenalina em nossa corrente sanguínea.Como resultado podemos ter taquicardia, dilatação da pupila, tremores, ansiedade, etc.Claude_Monet,_Impression,_soleil_levant,_1872 Com o desenvolvimento da relação, e consequentemente o aumento da paixão, nosso corpo passa a liberar uma molécula neurotransmissora chamada dopamina. Quando uma pessoa inala cocaína a sensação de bem-estar decorrente da droga deve-se principalmente a liberação de dopamina no organismo. E, assim como a droga, a paixão causa dependência. Queremos estar sempre com a pessoa amada, sentimos saudades, e prazer quando na sua companhia. O sexo é outro importante fator de liberação de substâncias. No momento do orgasmo nosso corpo libera um hormônio chamado ocitocina que, entre outras ações, leva ao estreitamento da relação. Do ponto de vista biológico, quanto mais sexo, mais ligados à outra pessoa nos sentimos, logo, a união é mais consistente.

Resumindo, o amor, a paixão, os sentimentos, são apenas frutos de moléculas, substâncias e impulsos elétricos no nosso organismo. A paixão por uma pessoa, biologicamente, é igual a paixão por qualquer outra pessoa, variando, talvez, na intensidade. O organismo reage da mesma forma, a sequência de eventos é a mesma. Toda poesia que está por trás do amor é fruto da imaginação humana. O amor é cientificamente explicado e passível de entendimento. Já sabemos, relativamente bastante, o porquê das nossas emoções. Então, por que tanto furdunço em relação a esse tema? Por que poetas, cineastas, cantores, filósofos, entre outros, gastam tanto tempo com esse tema?

Hoje, durante a tarde, pensei em uma analogia que me levou a escrever esse texto. Quando vemos uma tela de Monet, ou quando ouvimos uma música de Bach, não ficamos imaginando (quase nunca) quais as moléculas ou substâncias que compõem a pintura, ou como a onda mecânica se propaga emanando dos instrumentos que fazem parte da canção. Apenas apreciamos o resultado como um todo. Nos deixamos levar pela beleza da imagem ou a sensação da melodia. Ou seja, o amor pode ser bonito quando o enxergamos como uma obra de arte.

31 de ago. de 2009

Como criar tirinhas em quadrinhos

Quando criança eu adorava histórias em quadrinhos, Turma da Mônica, Recruta Zero, Menino Maluquinho, eram os que eu mais lia. Hoje, com 25 anos, continuo gostando bastante de quadrinhos, no entanto, minhas preferências mudaram. Os quadrinhos que gosto hoje não são necessariamente histórias, e sim tirinhas. Entre meus favoritos estão (misturando autores e personagens): Mafalda, Laerte, Níquel Náusea, Calvin, Dr. Pepper, etc.

Sempre gostei de desenhar algumas também, mas naquela época (de criança) desenhar mal não era uma vergonha. Hoje, caso me propusesse a desenhar, então sim, seria uma vergonha. Mas minha vontade continuou. Resolvi o problema. Encontrei um site muito bom no qual é possível criar suas próprias tirinhas com personagens e objetos pré-desenhados.

Então, para você que gosta de quadrinhos e não sabe desenhar, aí vai a solução:

http://stripgenerator.com/create/

Dicas: nas abas acima dos quadrinhos há diversas opções de personagens, objetos, balões, etc. Após criar sua tira, clique em “Publish!” e faça um print screen da tela, cole no paint e faça seus ajustes. É uma forma simples e rápida.

Eu criei algumas como as do meu primeiro post e as que seguem logo abaixo:

Lembra de Caverna dos Dragões? Sabe o Chuck Norris?

Chuck Norris e o Mestre dos Magos:O Chuck Norris

 

Sabe aquelas pessoas que têm compulsão por mentir?

O Mitomaníaco:

O Mitomaníaco

 

30 de ago. de 2009

Um milhão de qualquer coisa

Helland: A Internet me surpreende diariamente.

Jorgen: Cara, tá uma coisa louca...090827133752_kitiamara-32-years-old-fr

Helland: Hoje em dia você consegue fazer qualquer coisa, qualquer mesmo.

Jorgen: Garçom, mais uma cerveja! Por favor.

Helland: O grande lance é ter uma idéia original.

Jorgen: O problema é ter essa idéia.

Helland: Não acho que seja tão difícil.

Jorgen: Acho que não é pra gente.

Helland: Veja só Jor, creio que poderia conseguir um milhão de qualquer coisa que quisesse pela internet.

Jorgen: Hahahahahahahaha... nunca!!!

Imagino que a idéia de juntar um milhão de girafas tenha surgido assim, pelo menos gosto de imaginar isso. Já explico tudo a seguir:

Dois amigos noruegueses, Ola Helland e Jorgen, fizeram uma aposta: Helland propôs arrecadar 1 milhão de girafas. Jorgen duvidou. Tais girafas devem ser criadas por internautas e enviadas para seu site até o fim deste ano. Toda criatividade pode ser usada para a criação dos bichinhos, salvo duas regras: não podem ser feitas no computador e nem ser um objeto comprado (uma girafa de pelúcia, por exemplo).

São palavras do próprio Helland: “Meu amigo Jørgen não acreditou que eu possa coletar um milhão de girafas até o final de 2010. Eu pretendo provar que ele está errado...”. No momento que escrevo este artigo o projeto possui, até agora, 203080 girafas e restam 488 dias para ele alcançar seu objetivo.

Vamos ajudá-lo??? Eu e minha priminha, Maria Laura, 7 anos, fizemos uma juntos:Girafa

Já enviamos e recebemos uma repsosta:

“Hey Leandro E Maria Laura!
Thank you for your giraffe! It looks cute! I'm now one giraffe closer to a million, all thanks to you! You, my friend, are a cool person!”

Faça a sua, tire uma foto e mande para Helland:

http://olahelland.net/giraffes/

Informações: BBC Brasil e FILHAS DA PUC

29 de ago. de 2009

Excentricidades no Jornalismo Mundial

Às vezes fico pensando como seriam algumas entrevistas (inconcebíveis) entre famosos. Como entre Sócrates(o filósofo) e Sílvio Santos, George Washington e Ronaldo, etc. Hoje transcrevi uma dessas:

Caetano Veloso, músico brasileiro, entrevista Charles Darwin, naturalista inglês.
atbash-charles-darwin-ape

Caetano: O que o senhor vê de mais transcendental na sua teoria?

Darwin: Não a vejo como transcendental em nenhum aspecto, mas acho que ela pode ajudar a resolver algumas coisas. 

Caetano: No âmbito dos grandes cientistas, o senhor se considera transcendental? 

Darwin: Assim como na minha teoria, não vejo nada de transcendental em mim também.

Caetano: No atual cenário sócio-cultural mundial qual a condição do homem como um ser evolutivamente lindo como ele é ?
cae

Darwin: Como?

Caetano: O senhor acha que a música em seus primórdios é uma criação divina ou obra da seleção natural?

Darwin: Nunca pensei nisso 

Caetano: O senhor é lindo mais que demais!

Darwin: Vocês deveriam fazer uma melhor seleção dos entrevistadores! (grita com a produção).

Então se levanta e vai embora. Caetano apenas observa-o assustado.

Quase não deu no Estadão:

Justiça censura Estado e proíbe informações sobre Sarney

“BRASÍLIA - O desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), proibiu o jornal O Estado de S. Paulo e o portal Estadão de publicar reportagens que contenham informações da Operação Faktor, mais conhecida como Boi Barrica. O recurso judicial, que pôs o jornal sob censura, foi apresentado pelo empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) - que está no centro de uma crise política no Congresso.”

Continue lendo...

Na relatividade temporal da internet estou muitíssimo atrasado publicando essa matéria, mas como havia feito duas tirinhas sobre o assunto precisei reviver o passado, ou não.

O Fulano

O Fulano parte2

 
BlogBlogs.Com.Br